sábado, 21 de maio de 2011



As aparências desenganam o tempo de existência
 No mundo hiper-alfabetizado que compartilhamos na hiper-realidade em que nos deparamos, esquecemos como a literatura é vivida a partir do exterior. De fora do código há um índice ideal de complexidade e desdobramento invisível. Mesmo no analfabetismo, o código é entendido como conter conteúdo.


Mas o conteúdo é indistinguível do espaço infinito que o contém, um espaço que é cortado por muros de códigos.


Não podemos esperar para conhecer o conteúdo na sua perfeição, mas sentimos a certeza de que o terreno em branco que o detém, pelo menos, é real. A memória desta clareza textual se inscreve em cada ordenação ou encadeamento de símbolos.
Vemos depois os quartos invisíveis nunca se abrirem por trás do plano perfeito da página.
Um livro é neste sentido de vida, o espelho das imperfeições inscritas no movimento das paginas ; está no manuseio a construção do rumo dos mundos




A vista da poesia fica antes da palavra escrita
Minha vista informa conforme deforma este mundo
Conforme as coisas transformam seus corpos
Conforme os hábitos neste habitat
Os planos desmembram na soma das formas

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