quinta-feira, 19 de novembro de 2009



sexta-feira, 13 de novembro de 2009



Curta camiseta de algodão

Enquanto andava
Carregou olhares

Com as coxas de brim
Mordeu os lábios de fome

Queria um sanduíche
Com refrigerante

Havia açúcar sobre a mesa
Escorria rosa o cabelo curto

Lambendo os lábios
De canudinho

Lentamente devorava
O palatável visual

domingo, 8 de novembro de 2009



São meus
Os despedaços

1- O traço
Do que foi traçado
2-A trança
Dos passos dados
3-A trama
Do colchão usado
4-A lembrança
Do que foi passado
5-A forma
Do que foi moldado

6-O sonho
Onde mergulhei
7-O aço
A me corroer
8-O mar
Onde me perdi
9-O jeito
A me contorcer
10- O fascículo
A me esquecer

São teus
Os cacos meus

quarta-feira, 4 de novembro de 2009




Pingado

Espalha-se
A geléia damasco;
O doce da fruta
Na massa

A boca vermelha da moça
Amassa estes lábios aguados

A baba da moça
Aguça
Meu doce
Da fruta

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

- Cosmo sapiens com suas coisas
Em busca de elos pretendidos
Colchões, travesseiros e gemidos
-





Além de craniana
Minha caixa maluca
Abriga uma roda gigante

Sideral mente
O corpo locomove-se
No sentido visceral

Em carnal latente
Desfruta o desfrute
No toque das frontes

Em cara a carne
A mente navalha
Semente se faz

Ovos , Ave, serpente
A paz
Aninha
Seus inventos

sexta-feira, 23 de outubro de 2009




Cosmo sapiens - E as coisas natureza

Formigas de fórmica trafegam
Sobre o aço dobrado da pia
E a lagartixa de ladrilho, espreita
O silencio é absoluto
E o massacre
Só, a torneira prata chora
Migalhas do formigueiro
Escorrendo pro ralo

Na rua, da janela
Saltam gatos de asfalto
Por telhados silenciosos
Que ainda restam pra lua
Manhosos e hábeis em suas tocaias
Às ratazanas de esgoto

E os robôs tagarelas
Meio maquinas meio armas
Na cozinha ou na varanda
Indiferentes às guerras alheias
Sem arrepios na lata
Construindo campos minados
Enquanto a ferrugem ataca

sábado, 17 de outubro de 2009





Vampira

Vem da fenda da boca
O vermelho sangue - céu
(da boca)
A gotejar dos caninos
Tua arcada labial sedentária
Aberta, espraia
Tua língua de ceda branca
Seca pra arrastar meu sorriso
Escorrido entre os lábios
Venda meus olhos de graça
Nessa viagem do tempo
Que vai dar numa praia
Num barco de vento
Aquele algum lugar
Onde ainda me vejo
Nos braços de um corpo de cera
Na calda da lua cadente
A vida dos mortos alveja teu centro
Foi meu tormento
Teu pensamento
Tão branca que transparece
Tão santa que não existe
Tão triste..., alva
Quanto à alma desfeita
“Vampira de alma seca
Toma, em teu peito azedo
à luz imortal”
E afoga em teu medo
No sal que meu corpo produz
Suga em meu dedo de luz
Um segredo


Suga!





Úmida decida
Ao teu rescaldo
Sorvo

Até que pra fora de mim
Escorro
Por dentro de ti

Quero ficar no seu pensamento
Quero ficar no seu pensamento
Quero ficar no seu pensamento

Quero ficar no que sinto que fui
Quero pensar que ainda existo
Quero pra sempre, o que era eterno

Por isso
Insisto
Lento

Morrer na mordida
De tua boca molhada
Em teu corpo
Meu mel
Para o teu paladar
Afogar ou queimar este céu
Em deleite, indelével

Em suma...
Nesta soma
Levo pra mim
Aquilo que fomos
Em nós

Algo mais denso
Encarna
E crava
Caveiras

Penso
Fico disperso
Assusto

Nada de beira
Sem eira

O abismo
Estica
Asas imensas

Invisto
Infesto
E
Afasto

-Só-



No mais
Derivo

E
Nunca
É
Claro


É tudo
Somado fora do corpo
Que somos

E nada
Fica
Escuro

Só é tudo que somos
E nada que nos esclareça
A clarividência do amor
De alguém, por alguém
Que nos torne completos


Sem você
Eu não esqueço
De mim

E assim
Ao me encontrar
Eu te reconheço

Aí então
Desmanchado
Em ti
Sós
Ficamos
Nós

Sós
Somos
Nus

Nós nus
Soma
Nós sós

Nus
Somos
Dois

Nós dois
Menos
Um só
É como morrer
Nos caninos de uma vampira
Nas mordidas de sua vagina

Nós
Não somos um só
Somos
Um nó de nus